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O que é Open Finance e o que muda para a sua empresa em 2026

Open Finance Brasil já é o maior ecossistema do mundo. Em 2026, duas mudanças regulatórias — Jornada Sem Redirecionamento e Pix Automático — vão impactar PMEs.

Luis Felipe Miléo

Luis Felipe Miléo

· 6 min de leitura

Se a sua empresa ainda baixa CNAB de Retorno toda manhã, faz conciliação manual no fim do mês e cobra clientes recorrentes pelo cartão de crédito, prepare-se: 2026 é o ano em que o Brasil deixa esse modelo para trás. E não é uma promessa de fintech — é uma mudança que já está em produção e que, em janeiro, virou regra para todos os bancos.

Este post explica, em linguagem de gestor (não de banco), o que é Open Finance, por que o Brasil tem o maior ecossistema do mundo, e quais duas mudanças regulatórias de 2026 — Jornada Sem Redirecionamento e Pix Automático — vão mexer com o caixa, a cobrança e o ERP da sua empresa.

O Brasil tem o maior Open Finance do mundo

Os números do Open Finance Brasil são pouco discutidos fora do mercado bancário, mas vale conhecê-los antes de qualquer decisão:

  • 154 milhões de consentimentos ativos (fevereiro/2026).
  • Mais de 100 milhões de clientes/contas conectados.
  • Mais de 5 bilhões de chamadas de API entre instituições por semana.
  • 800+ instituições participantes — todos os grandes bancos, fintechs, cooperativas, ITPs.
  • R$ 15,3 bilhões transacionados via iniciação de pagamento em 2025 (vs. R$ 3,2 bi em 2024).

Para efeito de comparação: o Open Banking do Reino Unido, que serviu de inspiração, tem cerca de 13 milhões de usuários ativos. O Brasil construiu, em cinco anos, infraestrutura financeira aberta de escala global.

E isso não é só sobre dados. Open Finance hoje permite que uma empresa autorize, com um clique, que o Odoo (ou qualquer ERP) leia o saldo e o extrato de várias contas bancárias — em vez de baixar OFX/CNAB de cada banco, manualmente. E permite iniciar pagamentos (transferências Pix, débitos recorrentes) direto do ERP, sem login no internet banking.

O que muda em 2026: as duas grandes evoluções

1. Jornada Sem Redirecionamento (JSR) — obrigatória em 02/01/2026

Até hoje, quando você autorizava um pagamento via Open Finance, era jogado para fora do site/app, redirecionado ao banco para confirmar, e só depois voltava. Cada redirecionamento é fricção e fricção custa conversão.

A Jornada Sem Redirecionamento (JSR) acaba com isso. A confirmação acontece dentro do mesmo aplicativo (do ERP, do e-commerce, do app de cobrança), via biometria ou push do banco. Já era obrigatória desde 14/11/2024 para os top 13 bancos (que respondem por 99% das transações Pix). Em 02 de janeiro de 2026, virou obrigatória para todos os 800+ participantes.

O que isso significa para a sua empresa:

  • Checkout no e-commerce sem o cliente sair do site.
  • Aprovação de pagamento de fornecedor pelo dono, dentro do próprio Odoo, com biometria.
  • Conciliação automática que não exige login manual em cada banco.

2. Pix Automático — débito recorrente nativo

O Pix Automático é a versão Pix do antigo débito automático em conta — só que multibancos, padronizado pelo Banco Central, e sem depender de convênio individual com cada instituição.

O cliente autoriza, uma vez, que sua empresa debite valores recorrentes da conta dele. Pode ser mensalidade de SaaS, plano de saúde, academia, conta de luz. A partir daí, o débito ocorre automaticamente, sem cartão, sem expiração, sem chargeback.

Já está em produção em vários bancos (Banco do Brasil, Itaú, BTG, Inter, Caixa, Sicredi, Sicoob) desde 2025. O BB lançou inclusive o Boleto com Pix Automático, em abril/2025, com a Equatorial Energia como case-piloto.

Por que isso importa para a sua empresa:

Problema do cartão recorrenteComo o Pix Automático resolve
Taxa de 3% a 5% por transaçãoTaxa de R$ 0,01 a R$ 0,10 por liquidação
Cartão expira → cobrança falhaNão expira; vinculado à conta
Chargeback do clienteSem chargeback (tem regras de cancelamento)
Bandeira pode bloquearSem bandeira intermediária
MDR negociado caso a casoTarifa pública e baixa

Tudo bem, mas e o boleto e o CNAB?

Aqui mora uma confusão importante: Open Finance regulado (o ecossistema do BCB) não substitui as APIs proprietárias de cada banco para registrar boleto, gerar Pix Cobrança com QR Code próprio ou enviar borderô de fornecedores.

Esses casos de uso continuam sendo feitos pelas APIs proprietárias dos bancos — todas seguindo o mesmo padrão Bacen para Pix (/cob, /cobv, /webhook). A diferença é que cada banco tem seu portal, seu onboarding, suas credenciais.

Em outras palavras: o cenário ideal para uma PME em 2026 é uma arquitetura híbrida:

  • APIs proprietárias dos seus 1–2 bancos principais (Itaú, Inter, BTG, Sicoob, BB…) para emissão de boleto, Pix Cobrança, pagamentos em lote, conciliação em tempo real.
  • Open Finance regulado, via agregador, para extrato consolidado de contas-extras e iniciação de pagamento sem fricção.

O que isso muda para um ERP como o Odoo

Empresas que rodam Odoo no Brasil até agora dependem em grande parte de:

  1. CNAB Remessa/Retorno (lento, batch, com erros).
  2. Importação manual de OFX (atualização diária no melhor caso).
  3. Cobrança via gateway de cartão (caro, com chargeback).

Com Open Finance + APIs bancárias bem integradas ao Odoo, o cenário muda:

  • Conciliação em tempo real: cada Pix recebido entra no Odoo via webhook; o boleto baixado também.
  • Cobrança recorrente nativa: faturas SaaS cobradas via Pix Automático, sem cartão.
  • Pagamentos em lote (folha, fornecedores): aprovação dentro do Odoo, sem internet banking.
  • Fluxo de caixa multi-banco: saldo consolidado, em um painel só.
  • Conformidade: trilhas de auditoria, LGPD, ICP-Brasil, tudo em um lugar.

O ponto cego: a localização Odoo Brasil ainda não tem isso pronto

A localização oficial Odoo para Brasil (o pacote OCA l10n-brazil) é madura para nota fiscal, CNAB e boletos via micro-serviço, mas ainda não cobre integração via API REST direta com bancos brasileiros usando OAuth2 + mTLS. Esse é exatamente o gap que vem sendo preenchido pela KMEE, e é o que pode determinar se uma PME no Odoo vai ou não aproveitar a infraestrutura nova de Pix Automático e JSR. Detalhamos esse caminho em Por que o Odoo Brasil precisava de uma integração bancária nativa.

E agora?

Se sua empresa cobra clientes mensalmente, paga muitos fornecedores, opera com mais de um banco ou planeja crescer sem aumentar o time financeiro, 2026 é o ano de revisar a integração bancária do seu ERP. Não é mais uma vantagem competitiva — é o novo piso.

Quer entender como integrar o Open Finance e as APIs dos seus bancos ao Odoo da sua empresa? Conheça nossa oferta de Integração Bancária para Odoo ou agende uma conversa de 30 minutos. Saímos com um mapa concreto: quais APIs valem a pena integrar primeiro, qual cobertura de Open Finance faz sentido para o seu volume, e qual o impacto estimado em conciliação e cobrança.


Fontes principais: Banco Central do Brasil, Associação Open Finance, Dashboard do Cidadão (dashboard.openfinancebrasil.org.br), Febraban. Métricas referem-se a fevereiro/2026.

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Sobre o autor

Luis Felipe Miléo

Luis Felipe Miléo

Desenvolvedor Odoo · KMEE

Desenvolvedor especializado em localização fiscal e projetos open source no ecossistema Odoo/OCA, com foco em integrações para o mercado latino-americano.

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