Como testar uma migração de Odoo antes da virada
Depois da virada, migração de Odoo não tem desfazer. Um roteiro de testes para não perder anexos, relatórios, customizações e notas fiscais no caminho.
Num tópico do fórum oficial da Odoo, uma empresa que migrou da 17 para a 19 em produção ouviu uma resposta que resume este post: não é possível voltar para a versão anterior. Depois da virada, migração de versão não tem desfazer.
O teste, então, vem primeiro: a própria Odoo orienta rodar o upgrade numa cópia antes da produção. Abaixo, o roteiro que eu seguiria.
Comece por uma cópia, nunca pela produção
O primeiro teste roda numa cópia completa da base, e completa quer dizer banco e arquivos. Insisto nos arquivos porque o Odoo guarda anexos, PDFs de nota e imagens no filestore, fora do banco de dados, e é comum migrar um e esquecer o outro. Num relato no fórum da Odoo, uma empresa tinha 1,5 GB de arquivos na versão 14 e recuperou 44 MB depois da migração.
O que conferir na cópia migrada
Ver o sistema abrir não prova nada. Confira item por item:
- Arquivos e anexos. O tamanho do filestore bate com o original? Os PDFs de pedidos e notas antigas abrem?
- Relatórios e modelos de documento. Pedido, fatura e DANFE saem com os campos que a sua empresa personalizou?
- Customizações do Studio. Campos e telas criados no Studio continuam lá e funcionando?
- Fiscal. Emita NF-e em homologação, confira os impostos de pedidos reais e veja se o SPED fecha. No Brasil, essa é a parte que não pode falhar.
- Integrações. Tudo o que conversa com o Odoo, de banco a e-commerce, precisa ser testado contra a versão nova.
- Volume. Conte clientes, produtos, faturas e lançamentos antes e depois. Os números precisam bater.
Faça mais de um ensaio
O primeiro ensaio mostra o que quebra, e você corrige. O segundo, numa cópia nova da produção, confirma que as correções funcionam e mede quanto tempo a migração leva de verdade. É esse tempo medido que define a janela de parada no dia da virada.
A virada é um evento planejado
No dia, a operação para por algumas horas. Defina antes: a janela, de preferência fora do pico; o momento a partir do qual ninguém lança mais nada na versão antiga; o backup, feito imediatamente antes; e o critério de aceite, ou seja, o que precisa estar funcionando para dar a migração por concluída. Na KMEE, esse aceite é explícito e documentado com o cliente na homologação.
Falta um item, o que mais se esquece: quem decide voltar para o backup se algo crítico falhar. Como a migração não se desfaz, voltar significa restaurar o backup da versão antiga. Essa decisão precisa estar combinada antes, e não no meio da madrugada da virada.
Próximo post
Testar bem tem custo, e é aqui que muita gente se assusta com o orçamento. O último post da série é sobre quanto custa migrar um Odoo de verdade.
O diagnóstico da KMEE, sem custo, devolve um plano com essas etapas já desenhadas para a sua base.
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Sobre o autor
Luis Felipe Miléo
CEO e sócio-fundador · KMEE
Sócio-fundador da KMEE e PSC da Odoo Community Association. Mantém com o seu time a localização fiscal brasileira do Odoo (l10n-brazil) e outros módulos da OCA desde 2012. Certificado Demand Driven Planner, escreve sobre ERP, open source, fiscal e IA aplicada às operações.
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