Por que, no Brasil, o destino seguro hoje é o Odoo 18
No Brasil, quem decide a versão de destino de uma migração de Odoo é a localização fiscal, não o lançamento mais novo. Por que hoje esse destino é o Odoo 18.
No post anterior mostrei que a 17 saiu do suporte padrão e que a 20 ainda não está ao alcance de quem quer migrar. A pergunta seguinte é natural: então eu vou para onde?
Fora do Brasil, a resposta costuma ser a versão mais nova que os scripts de migração já cobrem. Aqui ela depende de outra coisa. Quem emite NF-e, apura imposto e entrega SPED pelo Odoo depende da localização fiscal brasileira, e é ela que decide a versão de destino.
O Odoo sozinho não emite nota no Brasil
O Odoo padrão não sabe o que é uma NF-e, um CFOP ou um regime tributário brasileiro. Tudo isso chega pela localização. Existem algumas no mercado. A que eu defendo, e da qual a KMEE é uma das mantenedoras principais há mais de uma década, é a localização da comunidade OCA, o l10n-brazil: código aberto, mantido por várias empresas, guardado no repositório do próprio cliente. Se um dia você quiser trocar de integradora, qualquer outra que trabalhe com a OCA continua de onde a anterior parou.
Essa localização é um conjunto grande de módulos: o fiscal, a contabilidade, a NF-e e dezenas de outros. Cada um precisa ser portado para cada versão nova do Odoo, um por um, com testes e com o próprio script de migração.
Por que a localização vem depois
O OpenUpgrade, o projeto da comunidade que converte o banco entre versões, cobre os módulos da Odoo SA. Os da localização brasileira ficam fora dele: precisam estar portados para a versão de destino e trazer a própria migração.
A defasagem é inevitável. A Odoo lança a versão, os módulos padrão ganham script em algumas semanas, e a localização vem atrás, porque depende deles e porque o fiscal brasileiro é grande e muda o tempo todo. Basta lembrar quantas notas técnicas de NF-e saíram só neste ano, com a Reforma Tributária entrando em vigor.
Onde a localização está hoje
No repositório da OCA, a versão mais recente com o núcleo fiscal completo, com os módulos de fiscal, de contabilidade e de NF-e publicados, é a 18. Na 19, o fiscal e a contabilidade já estão publicados, e a NF-e ainda não.
A 20 começou a ser portada na semana do lançamento. Em 6 de outubro, todos os módulos que já estão na 19 tinham pedido de migração aberto para a 20, junto com os modelos de dados da NF-e, do CT-e, do MDF-e e da NFS-e, a maior parte aberta pela KMEE. Nenhum foi aceito ainda: cada pedido passa pela revisão da comunidade antes de entrar. E o módulo que emite a NF-e ainda não tem pedido nem na 19 nem na 20.
Para quem emite nota pela localização da comunidade, então, o destino seguro hoje é a 18. Ela tem suporte padrão da Odoo até setembro de 2027 e o fiscal brasileiro rodando em produção.
É por isso que trabalhamos com versões pares
Na KMEE, levamos os clientes de versão par em versão par: 16, 18, 20. A escolha nasce dessa defasagem. A versão par sai, amadurece por cerca de um ano enquanto a localização chega nela, e só então vira destino. Na 20, começamos o porte na semana do lançamento justamente para encurtar essa espera. Ninguém migra para uma versão em que o fiscal ainda está sendo portado. E pular a ímpar no meio do caminho poupa uma migração inteira a cada ciclo.
18 agora ou 20 depois?
Se a sua base precisa sair da versão atual já, o destino é a 18. É o caso de quem está no Odoo Online, de quem está no fim da janela do Odoo.sh, de quem roda uma versão sem correção há anos e de quem está no Enterprise numa versão que já entrou, ou vai entrar, na taxa de 25%.
Se dá para esperar alguns meses, vale planejar direto para a 20. Pular a 18 poupa uma migração inteira, e a 20 tem suporte padrão previsto até 2029, dois anos a mais que a 18. Para quem emite NF-e pelo Odoo, a condição é uma só: a 20 vira destino quando a emissão estiver portada e testada nela. Hoje ainda não está, e eu não vou cravar data.
Nos dois casos o primeiro passo é o mesmo: o inventário das quatro camadas da sua base. Ele vale para a 18 e para a 20, e é ele que mostra se dá para esperar.
”Mas a 19 já não tem o fiscal?”
Tem boa parte: o fiscal e a contabilidade já estão portados. Para uma empresa que não emite nota pelo Odoo, ou que resolve a emissão por fora, a 19 pode servir. Para quem emite, a conta é outra, e começa pelo que a sua operação fiscal precisa rodar dentro do Odoo.
Próximo post
Até aqui falei de quem tem acesso ao serviço oficial de upgrade. Mas uma parte grande do mercado brasileiro roda a edição Community, que não tem esse serviço. Como essa empresa migra? É o próximo post.
Na dúvida sobre o destino da sua base, o diagnóstico de migração da KMEE olha versão, localização e o que mais roda no seu Odoo. Não tem custo.
- #odoo
- #migracao
- #odoo-18
- #l10n-brazil
- #oca
- #fiscal
Sobre o autor
Luis Felipe Miléo
CEO e sócio-fundador · KMEE
Sócio-fundador da KMEE e PSC da Odoo Community Association. Mantém com o seu time a localização fiscal brasileira do Odoo (l10n-brazil) e outros módulos da OCA desde 2012. Certificado Demand Driven Planner, escreve sobre ERP, open source, fiscal e IA aplicada às operações.
Ver perfil no LinkedIn