Reforma Tributária 2026: como a OCA está se preparando (IBS, CBS, IS)
Em 2026 começa a transição para IBS, CBS e IS. Veja o cronograma realista, o que muda no Odoo e como a OCA está se preparando para a Reforma Tributária.
A Reforma Tributária do consumo deixa o terreno teórico em 2026 e começa a aparecer nas notas fiscais. Em vez de troca direta de tributos, há um período de convivência de dois sistemas durante anos, com as alíquotas-teste do IBS e da CBS rodando ao lado de ICMS, IPI, PIS, COFINS e ISS antes da extinção gradual. Para qualquer ERP brasileiro, isso significa reescrever boa parte do motor fiscal. A OCA mantém IBS, CBS e IS na base fiscal aberta desde 2024, acompanhando a regulamentação; a KMEE conduz cada cliente na transição.
IBS, CBS e IS, o que cada um substitui
Para evitar confusão de sigla, o resumo direto:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal, substitui PIS, COFINS, IPI (parcialmente) e o IOF-Seguros. Administrado pela Receita Federal.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo subnacional, substitui ICMS (estadual) e ISS (municipal). Administrado por um Comitê Gestor IBS, com participação de estados e municípios.
- IS (Imposto Seletivo): tributo federal sobre bens e serviços considerados prejudiciais (cigarros, bebidas alcoólicas, veículos, etc.). Funciona como o atual IPI seletivo, mas com base ampliada.
IBS e CBS são não cumulativos amplos (o IS incide uma única vez e não gera crédito), diferente do PIS/COFINS atual, onde a não cumulatividade tem dezenas de exceções por enquadramento. Em tese, todo crédito é admitido se a operação foi tributada na cadeia anterior.
O cronograma realista
O texto da Lei Complementar 214/2025 (regulamentação da EC 132/2023) prevê:
- 2026: alíquota-teste de 0,9% CBS + 0,1% IBS sobre as operações (exceto optantes do Simples Nacional). Valor compensável com PIS/COFINS atual. Função: forçar empresas a emitir a nova nota fiscal e gerar dados para calibração das alíquotas finais.
- 2027: CBS entra valendo. PIS/COFINS são extintos. IPI vai a zero (exceto Zona Franca de Manaus). IS entra em vigor.
- 2028: IBS segue em 0,1% (0,05% estadual e 0,05% municipal), como em 2027.
- 2029-2032: redução gradual de ICMS e ISS (de 90% em 2029 até 0% em 2033). IBS sobe na proporção inversa.
- 2033: ICMS e ISS extintos. Sistema novo plenamente em vigor.
Durante sete anos, todo ERP precisa calcular dois sistemas em paralelo em cada nota fiscal: o antigo (em fase de extinção) e o novo (em fase de implantação).
O que muda no Odoo+OCA
Estruturalmente, a localização brasileira no Odoo já tem a arquitetura certa para suportar a transição. O modelo l10n_br_fiscal.tax (impostos fiscais) é genérico: qualquer tributo nacional, estadual ou municipal cabe nele com a configuração apropriada. O que muda:
- Novos cadastros de tributo para CBS, IBS e IS, com tabelas de alíquota por município (no caso do IBS) e por NCM/serviço (no caso do IS).
- Novo motor de cálculo com regras de não cumulatividade ampla, crédito presumido e split payment (recolhimento na liquidação financeira, pelo prestador de serviço de pagamento).
- Atualização do XML da NF-e e da NFS-e para os novos campos do layout (na NF-e, a NT 2025.002-RTC, obrigatória desde 3 de agosto de 2026).
- Apuração mensal combinando os dois sistemas, com o débito final sendo a soma do regime antigo (decrescente) e do novo (crescente).
- Split payment: quando o tributo é segregado na liquidação financeira (ou recolhido pelo adquirente, art. 36 da LC 214/2025), o ERP precisa controlar o valor retido na nota e gerar a guia separada.
A KMEE e parceiros da OCA mantêm desde 2024 PRs de prototipagem dessa nova estrutura. O l10n_br_fiscal está sendo refatorado para acomodar os novos motores sem quebrar quem está rodando o regime antigo.
Por que isso é mais fácil em Odoo+OCA do que em ERP fechado
Em ERPs proprietários, atualização da Reforma Tributária é entrega de pacote: você espera o fornecedor, paga a licença extra, e instala quando ele liberar. Em Odoo+OCA, o trabalho é público e revisável:
- Os PRs são abertos. Sua equipe técnica acompanha o desenvolvimento.
- Você pode rodar o branch de homologação em ambiente de teste em paralelo, antes da virada de 2027.
- Customizações específicas da sua empresa (regimes especiais, benefícios estaduais sobreviventes, integrações com terceiros) podem ser ajustadas em paralelo, sem esperar a release oficial.
Veja também Migração TOTVS Protheus para Odoo sobre como o ciclo de atualização fiscal da OCA tem sido um motor de migração de ERPs proprietários.
O que sua empresa precisa fazer ainda em 2026
- Cadastrar NCM e classificações de serviço com precisão: a alíquota do IBS e da CBS depende disso, e não tem mais “cesta básica” ad hoc por estado.
- Mapear créditos hoje “perdidos” em PIS/COFINS cumulativo: no novo sistema você vai recuperar muitos deles, e isso muda o preço de venda competitivo.
- Revisar contratos de fornecimento com cláusula de repasse de tributo: alguns vão precisar de aditivo.
- Treinar a equipe fiscal: o motor do IBS/CBS é diferente do ICMS/PIS/COFINS, e não dá para emendar treinamento.
- Ambiente de homologação com Odoo+OCA rodando o branch de Reforma Tributária. Quem testar em 2026 vai virar a chave em 2027 com tranquilidade.
A KMEE acompanha o trabalho da OCA e contribui com PRs desde a estruturação inicial. Se sua empresa quer revisar o impacto da Reforma na operação atual, fale com nosso time pela página de contato.
Aprofunde por tema
- Alíquota-teste 2026: CBS e IBS, o que fazer agora: a ação urgente deste ano e o checklist de prontidão.
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Sobre o autor
Luis Felipe Miléo
CEO e sócio-fundador · KMEE
Sócio-fundador da KMEE e PSC da Odoo Community Association. Mantém com o seu time a localização fiscal brasileira do Odoo (l10n-brazil) e outros módulos da OCA desde 2012. Certificado Demand Driven Planner, escreve sobre ERP, open source, fiscal e IA aplicada às operações.
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